Ungidos para a Missão do Reino - @p. Jota Moura Rocha
UNGIDOS PARA A MISSÃO DO REINO
“Vós possuís unção que vem do Santo e todos tendes conhecimento” (1João 2.20)
Ser ungido para a missão do Reino significa ser escolhido, separado e capacitado pelo Espírito Santo, seguindo o exemplo de Jesus, o Cristo (o Ungido), para servir a Deus e ao próximo. Essa unção não é restrita a cargos, mas envolve todos os cristãos na missão de anunciar a Boa Nova da salvação em Cristo, promovendo justiça, amor e transformação social.
1. UNÇÃO & IDENTIDADE CRISTÃ
1) A afirmação de 1João 2.20 - ensina que a unção (chrisma) refere-se à obra permanente do Espírito Santo na vida do cristão. Ela não é episódica nem restrita a líderes, mas constitutiva da identidade de todo aquele que está em Cristo.
2) Unção e permanência na verdade - Em 1João 2.27, afirma-se que essa unção “permanece” e ensina todas as coisas. Isso revela que a missão da Igreja começa com uma comunidade firmada na verdade, capacitada espiritualmente para discernir, viver e proclamar o Evangelho com fidelidade.
2. UNÇÃO E O PLANO REDENTOR DE DEUS
1) A unção no Antigo Testamento - a unção está ligada ao envio para uma missão específica. Sacerdotes, profetas e reis eram ungidos não para status, mas para serviço (leia Êx 30.30; 1Sm 16.13). A unção sempre carregou um propósito missionário.
2) Cristo o Ungido por excelência - em Lucas 4.18, Ele declara: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para evangelizar…”. Nele a unção alcança seu cumprimento pleno. Cristo é o Messias enviado para manifestar o Reino de Deus em palavra e obra redentora.
3. A IGREJA APOSTÓLICA UNGIDA E ENVIADA
1) O Espírito Santo como poder para a missão - Atos 1.8 estabelece a conexão direta entre a unção do Espírito Santo e o testemunho missionário: “recebereis poder… e sereis minhas testemunhas”. A unção não é apenas para edificação interna, mas capacitação para o anúncio público do evangelho do Reino.
2) Pentecostes e a missão apostólica - O Pentecostes (At 2) não produziu apenas uma experiência espiritual intensa, mas uma Igreja missionária, ousada e perseverante. A unção gerou proclamação, salvação, comunhão, sinais e expansão do Reino.
4. A UNÇÃO NA REFLEXÃO TEOLÓGICA CRISTÃ
1) A perspectiva patrística - Agostinho de Hipona ensinava que o Espírito Santo é o amor que vivifica e move a Igreja. Para ele, a missão só é autêntica quando flui da caridade derramada pelo Espírito no coração dos fiéis (leia Rm 5.5).
2) A visão da Reforma do Século XVI - João Calvino afirmava que o Espírito Santo é o verdadeiro intérprete da Palavra. A missão evangelizadora só produz frutos quando o Espírito grava a verdade de Deus no coração humano.
3) Contribuições contemporâneas - John Stott destacou que a missão cristã é participação na missio Dei, realizada no poder do Espírito Santo, que “convence o mundo do pecado, da justiça e do juízo” (Jo 16.8). Jürgen Moltmann afirmou que a Igreja é missionária por natureza, pois vive impulsionada pelo Espírito que a envia ao mundo como sinal do Reino futuro.
5. IMPLICAÇÕES PRÁTICAS DA UNÇÃO PARA A MISSÃO
1) Dependência espiritual - Ser ungido para a missão significa viver em constante dependência do Espírito Santo, permitindo que Ele molde o caráter, direcione decisões e conceda ousadia no testemunho.
2) Missão como estilo de vida - A unção não substitui preparo, estratégia ou organização, mas confere vida, autoridade espiritual e eficácia à missão. Um cristão ungido é um enviado; uma Igreja ungida é uma Igreja em movimento espiritual.
Conclusão
A unção do Espírito Santo é o elo vital entre a identidade cristã e a missão do Reino. Onde o Espírito unge, a verdade é preservada, o evangelho é proclamado com poder e vidas são transformadas em Cristo. Ser “ungidos para a missão” é assumir que o avanço do Reino não depende da força humana, mas da ação soberana do Espírito que envia, sustenta e capacita a Igreja até os confins da terra.

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