“E O REINO SERÁ DO SENHOR” - @póstolo Jota Moura Rocha
“Os vencedores subirão ao monte de Sião para julgar o monte de Esaú;e o reino será do Senhor” (Obadias 1.21)
O livro de Obadias é o menor livro do Antigo Testamento, mas sua mensagem é profunda. Em apenas vinte e um versículos, o profeta denuncia o orgulho de Edom, anuncia o juízo de Deus e aponta para a restauração do povo do Senhor. Sua conclusão resume toda a esperança bíblica: “e o reino será do Senhor.” Edom descendia de Esaú e mantinha antiga rivalidade com Israel. Quando Judá sofreu calamidade, os edomitas se alegraram e participaram de sua humilhação. Por isso, Deus declarou: “Por causa da violência feita a teu irmão Jacó, cobrir-te-á a vergonha” (Ob 1.10). A questão central não era apenas política, mas espiritual: orgulho, autossuficiência e desprezo pelo sofrimento alheio.
1. O REINO DO SENHOR TRIUNFA SOBRE O ORGULHO DE EDOM
1) Edom confiava em sua posição geográfica - em suas montanhas e fortalezas. Imaginava-se inalcançável. Obadias declara: “A soberba do teu coração te enganou” (Ob 1.3). Porém, Deus advertiu: “Se te remontares como águia... dali te derribarei” (Ob 1.4).
2) O orgulho produz uma falsa sensação de segurança - O ser humano começa a confiar em dinheiro, posição, conhecimento, influência ou capacidade pessoal e passa a viver como se não precisasse de Deus. Provérbios 16.18 alerta: “A soberba precede a ruína.” Essa mesma advertência permanece atual.
3) A Igreja pode possuir estrutura - recursos, conhecimento e métodos, mas nada disso substitui a dependência espiritual de Jesus Cristo. Como declara Salmos 20.7: “Uns confiam em carros, e outros, em cavalos, mas nós faremos menção do nome do Senhor.” Agostinho ensinava que “o orgulho leva a criatura humana a ocupar um lugar que pertence somente ao Criador.”
2. O REINO DO SENHOR MANIFESTA A JUSTIÇA DIVINA
1) Edom não apenas observou a queda de Judá - mas se alegrou com ela. Por isso Deus afirmou: “Como tu fizeste, assim se fará contigo” (Ob 1.15). Esse princípio demonstra que Deus não é indiferente diante da injustiça. Salmos 103.6 afirma que “o Senhor faz justiça e juízo a todos os oprimidos”. No Novo Testamento, Paulo ensina: “Minha é a vingança; eu recompensarei, diz o Senhor” (Rm 12.19).
2) Obadias também anuncia o “Dia do Senhor” - mostrando que a história caminha para um encontro definitivo com Deus. O ser humano não é o juiz final da história; Deus é. Nossa esperança está em Cristo. Romanos 8.1 declara: “Nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus.”
3) Portanto o Reino envolve justiça - mas também graça. O mesmo Rei que julgará o pecado oferece hoje perdão e salvação. Martinho Lutero enfatizou que “ninguém pode confiar em seus próprios méritos diante do juízo divino”.
3. O REINO DO SENHOR É UM REINO DE RESTAURAÇÃO
1) Depois do juízo Deus anuncia restauração - Obadias declara: “No monte Sião haverá livramento” (Ob 1.17). Esse princípio aparece em toda a Bíblia. Deus restaurou José, Jó, Israel, Pedro e tantos outros. Jeremias 30.17 declara: “Restaurarei a tua saúde e sararei as tuas chagas.”
2) Em Cristo a restauração encontra seu cumprimento maior - Jesus iniciou seu ministério proclamando: “Arrependei-vos, porque é chegado o Reino dos céus” (Mt 4.17).
3) Paulo confirma essa verdade em 2 Coríntios 5.17 - “Se alguém está em Cristo, nova criatura é.” Onde Cristo reina, vidas são transformadas, famílias podem ser reconstruídas e pecadores encontram perdão. Irineu de Lyon enfatizava que “Cristo veio restaurar aquilo que havia sido perdido pela desobediência humana”.
4. O REINO JÁ ESTÁ PRESENTE E SERÁ PLENAMENTE MANIFESTADO
1) Em Cristo o Reino entrou decisivamente na história - Jesus declarou: “É chegado a vós o Reino de Deus” (Mt 12.28). Cada cura, libertação, conversão e restauração demonstrava que o Rei havia chegado.
2) Contudo aguardamos a manifestação completa do Reino - o Reino já chegou em Cristo, mas ainda esperamos sua consumação na 2ª vinda de Cristo.
3) A Igreja deve viver como comunidade do Reino - Romanos 14.17 afirma que “o Reino de Deus é justiça, paz e alegria no Espírito Santo”. Quando a Igreja prega o Evangelho, pratica a justiça, promove a reconciliação, cuida dos necessitados e vive em santidade, ela testemunha a realidade do governo de Cristo agora. George Eldon Ladd destacou essa realidade como, o “já” e o “ainda não” do Reino de Deus.
Obadias termina com uma das declarações mais poderosas das Escrituras: “E o reino será do Senhor.” Governos passam. Impérios desaparecem. Sistemas humanos mudam. Mas o Reino de Deus permanece para sempre. Daniel 2.44 declara que Deus levantará “um reino que não será jamais destruído”. Em Apocalipse 11.15, encontramos a consumação dessa promessa: “Os reinos do mundo vieram a ser de nosso Senhor e do seu Cristo.” A Igreja precisa viver consciente dessa verdade. Não existimos para construir nossos próprios impérios, mas para anunciar o Reino de Cristo. Por isso, o cristão deve viver debaixo do governo de Jesus Cristo, rejeitar a autossuficiência, praticar a misericórdia, buscar justiça e cumprir sua missão no Reino.
A história não terminará com o pecado, com o sofrimento ou com os poderes humanos. Terminará com Cristo reinando. E essa é a esperança da Igreja: O Rei está vivo. O Rei está voltando. E o Reino será do Senhor Jesus.
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